A gestão de custos em unidades de saúde é um desafio constante para conciliar a qualidade dos serviços prestados e a rentabilidade do negócio. No entanto, a forma como os hospitais contratam a Engenharia Clínica no Brasil muitas vezes joga contra essa eficiência.
A grande maioria dos contratos de engenharia clínica ainda é baseada na exigência de uma equipe mínima (quantidade de mão de obra). Ou seja, o hospital define o número de técnicos desejados e as empresas concorrentes apresentam seus preços para alocar essas pessoas. Mas será que esse é o modelo mais inteligente e econômico?
Sobre o que vamos falar:
O problema do modelo de “Equipe Mínima”

O modelo focado em “vender mão de obra” apresenta uma falha estrutural: ele não privilegia as empresas que investem em processos e tecnologias para aumentar a eficiência. Se uma empresa utiliza um software avançado e métodos de gestão que permitem que três técnicos experientes façam o trabalho de cinco, ela é penalizada neste modelo de concorrência, pois a disputa se dará puramente por quem oferece o menor custo de folha de pagamento.
Isso tende a nivelar a qualificação das equipes por baixo.
As empresas são empurradas a contratar os profissionais com os salários mais baixos para ganhar a licitação, o que leva à desvalorização de toda a classe profissional. Além disso, sabemos que o custo de um profissional vai muito além do seu salário (envolvendo encargos, benefícios, provisões e overhead), o que encarece a estrutura fixa do hospital sem garantir necessariamente a qualidade técnica.
Contratos baseados em SLAs (Acordos de Nível de Serviço)
A alternativa moderna e focada em resultados é a contratação por SLAs. Neste modelo, o hospital não define o tamanho da equipe, mas sim os níveis de serviço e os resultados desejados. Cabe à empresa contratada empregar a melhor solução em termos de equipe, processos e tecnologia para alcançar as metas estipuladas em contrato.
As empresas mais eficientes e inovadoras são privilegiadas, e não aquelas que pagam os menores salários.
Um exemplo prático: uma empresa com infraestrutura robusta pode garantir os SLAs mesclando profissionais alocados em tempo integral no cliente com especialistas acionados sob demanda (para corretivas complexas) ou conforme o cronograma (como a visita de técnicos para calibração ou uso de analisadores compartilhados). O rateio desses recursos preciosos entrega excelência ao cliente com um custo fixo muito menor.

Principais SLAs para um contrato de Engenharia Clínica:
Para garantir a eficiência operacional e a segurança do paciente, um bom contrato por SLA deve focar nos seguintes indicadores:
- % de Resolutividade Mínima Mensal em Corretivas Mede a capacidade da equipe interna de resolver os problemas sem acionar os fabricantes ou assistências externas. Contratos eficientes devem exigir uma meta agressiva: aqui na Equipacare, por exemplo, o nível mínimo esperado é de 80%, mas equipes maduras frequentemente ultrapassam a marca de 90% de resolutividade. Isso reduz drasticamente os custos variáveis do hospital com manutenção avulsa.
- % de Cumprimento de Manutenções Preventivas A manutenção preventiva previne falhas e prolonga a vida útil das tecnologias. O SLA deve medir o percentual de intervenções executadas em relação ao que foi programado no mês. A meta de excelência do mercado (e que utilizamos na Equipacare) é o cumprimento de pelo menos 95% do cronograma.
- % de Cumprimento de Calibrações e Testes de Segurança Elétrica A calibração periódica e os testes de segurança elétrica garantem que os equipamentos de diagnóstico e terapia entreguem parâmetros clinicamente válidos e seguros para o paciente e para o operador. O SLA deve garantir que 100% dos equipamentos críticos enquadrados no cronograma metrológico sejam certificados dentro do prazo.
- Tempo de Atendimento conforme a Criticidade Nem todo equipamento tem o mesmo impacto na operação. O SLA de tempo de resposta deve estar atrelado à criticidade do equipamento (Alta, Média e Baixa), avaliada por sua função, risco físico e importância estratégica (Curva ABC). Para equipamentos de suporte à vida (alta criticidade), o atendimento deve ser imediato ou em pouquíssimos minutos. Para equipamentos de baixa criticidade, o prazo pode ser maior (ex: até 08 horas úteis).
- Conformidade com Padrões de Auditoria ONA e ANVISA O contrato deve exigir a aplicação de processos padronizados que garantam o atendimento integral aos requisitos da Vigilância Sanitária (RDC Anvisa) e das entidades acreditadoras. O serviço não pode ser empírico; é necessário entregar evidências rastreáveis. Como referência, a metodologia FixSystem permite implantar o padrão ONA 1 em apenas 3 meses e o ONA 3 em até 6 meses.

Conclusão
A contratação de engenharia clínica por SLA e desempenho ainda é uma modalidade pouco explorada no mercado brasileiro, mas representa um campo de enorme potencial. Em contraste com a contratação por “equipe mínima”, o modelo de SLAs é um caminho sustentável para a saúde: ele incentiva a inovação tecnológica, promove a busca pela máxima eficiência em custos, garante a segurança institucional e atua a favor da valorização salarial dos bons profissionais.
Quer modernizar a gestão do seu parque tecnológico e pagar por resultados reais? A Equipacare é pioneira no mercado brasileiro em modelos flexíveis e baseados em desempenho e SLAs (como a Terceirização Parcial), focados em entregar o “cérebro da obra”. Entre em contato com nossos consultores e descubra como a nossa metodologia FixSystem pode ajudar o seu hospital a reduzir custos operacionais e bater todas as metas de qualidade.
