Evite erros caros na aquisição de tomógrafos. Conheça as 10 dicas cruciais de engenharia clínica sobre especificações, custo total de propriedade e infraestrutura para garantir o melhor tomógrafo para seu hospital.
Sobre o que vamos falar:
Introdução: O Desafio Estratégico da Aquisição de Tomógrafos
A Tomografia Computadorizada (TC) é um dos pilares do diagnóstico por imagem moderno. A aquisição de tomógrafos é, frequentemente, um dos maiores investimentos tecnológicos que um hospital pode fazer, exigindo um profundo planejamento estratégico e técnico. Um erro nesta fase pode resultar em altos custos operacionais, baixa taxa de utilização e, pior, falha na entrega de serviços diagnósticos de qualidade.
A Clinical Engineering tem um papel fundamental neste processo, atuando como elo entre as necessidades médicas e as especificações técnicas do equipamento.
Para ajudar gestores hospitalares e equipes de manutenção a tomar a melhor decisão, reunimos com a equipe de consultoria da Equipacare as 10 dicas essenciais para seleção de tomógrafos, focadas não apenas no preço, mas na sustentabilidade e eficiência operacional a longo prazo.
As 10 Dicas Cruciais para Aquisição de Tomógrafos
1. Defina o Escopo Clínico e o Volume de Exames

Antes de analisar modelos de equipamentos, entenda para que o tomógrafo será usado. O perfil assistencial determina desde a faixa de canais até os softwares que serão necessários. Alguns aspectos que precisam ser considerados:
- Volume de Exames: Previsão de exames por dia, o que impacta na vida útil do tubo e na especificação da velocidade de gantry.
- Operação/Plano de Atendimento: Junto com o volume previsto de exames, definir o horário de atendimento permite calcular qual produtividade se espera do equipamento (exames / hora).
- Tipos Predominantes de Exames: Trauma, abdome, tórax, cardiologia (angio-TC), pediatria irão influenciar na escolha de pacotes de softwares;
- Nível de Complexidade: Determina a necessidade de incluir softwares avançados e exigir equipamentos de alta resolução.
2. Não Foque Apenas no Número de Canais (Slices), avalie o Desempenho Real

O mercado costuma dar muita promoção para o número de slices (canais ou fileiras de detectores), mas ele não é o único indicador de desempenho. A quantidade de canais não é o único indicador.
Por exemplo, tomógrafos de 16 canais de diferentes modelos podem ter desempenhos muito distintos. Segue abaixo alguns aspectos que impactam:
- Velocidade de Gantry (giro): Impacta a rapidez do exame e a qualidade da imagem em órgãos móveis (ex: coração).
- Tecnologias de Reconstrução Iterativa (IR): Reduz ruído e dose, melhorando a imagem final.
- Material e Eficiência do Detector: O detector é o coração do tomógrafo. É ele quem converte os fótons de raios x em sinais elétricos que, depois, viram imagens. Os detectores modernos são compostos, basicamente, de dois elementos: (a) cintilador que converte raios x em luz e (b) fotodiodos que transformam luz em sinal elétrico. O cintilador costuma ser o grande diferencial entre modelos, pois quanto mais eficiente, melhor consegue “aproveitar” cada fóton.
Algumas perguntas que podem ser feitas ao fornecedor sobre a qualidade do detector e ir além do “número de cortes”:
- Qual o material do cintilador do detector?
- Qual a eficiência quântica do detector (DQE)? (vide dica 8)
- Qual o tempo de resposta do detector?
- Como o detector impacta a rotação mínima do gantry?
- Qual a estabilidade do detector ao longo dos anos?
3. Avalie o Custo Total de Propriedade (TCO) para Sustentabilidade do Investimento

O valor de aquisição representa apenas uma parte do custo total do equipamento em sua vida útil estimada, por exemplo, em 10 anos. Na aquisição de tomógrafos, o TCO deve incluir:
- Custo de Manutenção: Negocie contratos de serviço e considere o custo de reposição do tubo de raios-X, que é o mais caro componente. Uma estimativa de TCO pode considerar de 2 até 4 trocas em 10 anos.
- Consumo Energético: Tomógrafos com tecnologia mais antiga ou de baixa eficiência podem ter um consumo energético significativamente maior.
- Produtividade: Um equipamento mais rápido impacta diretamente a receita gerada.
4. Verifique a Infraestrutura Elétrica, Predial e a Conformidade com Normas

O Tomógrafo exige infraestrutura robusta. A Engenharia Clínica junto com a Engenharia Hospitalar deve validar cada ponto antes da compra para evitar surpresas no projeto.
- Adequação Elétrica: Picos de consumo, estabilização (UPS/Nobreak) e aterramento.
- Blindagem e Layout: A sala exige blindagem radiológica conforme o projeto, seguindo as normas vigentes. Será necessário cálculo de Físico Médico para definição (obs.: aqui na Equipacare oferecemos este serviço).
5. Priorize o Suporte Técnico e a Logística de Peças para sua Região

O suporte do fabricante em termos de tempo de atendimento e disponibilidade é crucial. Pesquise a capilaridade da assistência técnica do fornecedor e qual é a estrutura para atendimento da sua região especificamente.
Alguns pontos para serem observados:
- Tempo de Resposta (SLA): Qual o tempo garantido para a chegada do técnico (Response Time) e para solução da falha?
- Disponibilidade de Peças: Verifique se há estoque local para componentes críticos (tubo, gerador) para evitar longos períodos de downtime para importação.
- Reputação: Faça visitas técnicas e pesquisas para obter relatos reais de hospitais que já usam o modelo desejado. Entender como é o atendimento do pós-venda na sua região é crucial.
6. Exija Ferramentas de Gerenciamento de Dose de Radiação e Segurança

A segurança do paciente e a conformidade regulatória são inegociáveis. Alguns recursos que podem melhorar esta relação:
- Controle Automático de Exposição (AEC): Reduz a dose de radiação aplicada sem comprometer a qualidade da imagem.
- Monitoramento da Dose: Ferramentas que registram e gerenciam a Dose Efetiva Acumulada para rastreabilidade.
- Segurança de Dados: Cheque quais recursos garantem que a comunicação e o arquivamento de dados sejam seguros.
7. Garanta os Softwares Essenciais e de Alto Nível para o Seu Perfil
Muitos tomógrafos que aparentam preços promocionais vêm com softwares mínimos o que impede de tirar máximo proveito da capacidade do aparelho, e implicar em custos futuros para realizar upgrades.
Para um serviço de alta complexidade, verifique se o pacote inclui soluções avançadas, como por exemplo:
- Softwares de Diagnóstico Avançado:
- Angiotomografia Coronariana e Vascular (com subtração óssea).
- Análise de Perfusão Cerebral, corporal e cardíaca.
- Análise de Colônia Pulmonar/Nódulos (para rastreio e acompanhamento Oncológico).
- Colonoscopia Virtual.
- Recursos para Otimização de Imagem e Fluxo Clínico:
- Redução de Artefatos Metálicos (MAR): Essencial para pacientes com próteses, implantes dentários ou stents.
- Processamentos Espectrais/Dual Energy: Tecnologias avançadas que fornecem informações sobre a composição do tecido, otimizando o diagnóstico e a caracterização de lesões.
- Recursos para Intervenção Fluoroscópica: Ferramentas em tempo real para guiar procedimentos minimamente invasivos.
- Recurso para Planejamento Radioterápico: Integração e compatibilidade para simulação de tratamentos oncológicos.
8. Avalie a Qualidade do Detector e a Tecnologia do Tubo de Raios X
Estes dois elementos têm grande impacto na eficiência e a qualidade da imagem.
- Vida Útil do Tubo: Negocie a garantia do tubo e o seu custo de reposição futuro.
- Eficiência Quântica do Detector (DQE): Indicador de quão bem o detector utiliza os fótons de raios-X, crucial para imagens de baixa dose.
- Tempo de Giro (Gantry Rotation): Quanto menor, melhor para exames que exigem alta velocidade.
9. Compare Produtividade e Velocidade de Exame

A produtividade é o maior diferencial operacional do hardware do tomógrafo. Algumas das especificações que podem ser analisadas:
- Tempo de Rotação do Gantry e Tempo de Reconstrução.
- Latência: Tempo entre o final de um exame e o início do próximo.
- Pitch Máximo e Tamanho do FOV: Impactam a cobertura e a velocidade em exames de corpo inteiro.
10. Revise Cláusulas Contratuais, Garantias e Treinamento

Um contrato bem elaborado protege o seu investimento e consolida a longevidade do uso.
- Garantia Mínima: Exija cobertura clara para tubo e detectores por no mínimo 12 meses. Idealmente, busque 24 meses de garantia.
- Treinamento: Negocie treinamento abrangente para a equipe de operadores e de engenharia clínica. Recomenda-se um mínimo de 80 horas para garantir a proficiência.
- Cláusulas de Penalidade: Inclua multas por atraso na entrega e no cumprimento dos SLAs de manutenção.
Conclusão: A Engenharia Clínica como Seu Aliado Estratégico
A aquisição de tomógrafos é muito mais do que uma transação comercial, é um projeto de engenharia, infraestrutura e gestão de tecnologia. Ignorar as variáveis técnicas e de custo total de propriedade pode comprometer a saúde financeira e operacional do seu hospital. A Equipacare Engenharia conta com um time de especialistas prontos para te ajudar a ser mais assertivo na escolha e implantação. Já apoiamos centenas de projetos em todo o Brasil para elaborar especificações ou editais de compra assertivos, realizar análises detalhadas de TCO e gerenciar a instalação, garantindo que o seu novo tomógrafo traga o máximo retorno diagnóstico e financeiro

