Sobre o que vamos falar:
Introdução
A monitorização de sinais vitais é uma das ferramentas mais importantes para a assistência hospitalar moderna. Além de fornecer informações essenciais para a tomada de decisão clínica, esses equipamentos desempenham papel fundamental na segurança do paciente, na detecção precoce de deteriorações clínicas e no acompanhamento contínuo da evolução dos tratamentos.
Um dos erros mais comuns durante processos de aquisição é tratar todos os monitores multiparamétricos da mesma forma. Na prática, isso frequentemente resulta em equipamentos superdimensionados para aplicações simples ou, pior, em soluções insuficientes para ambientes críticos, gerando desperdício de recursos, dificuldades operacionais e limitações assistenciais ao longo da vida útil do equipamento.
Cada setor do hospital possui necessidades específicas e, consequentemente, exige diferentes recursos de monitorização. Uma especificação inadequada pode resultar em equipamentos subutilizados, aumento de custos operacionais, dificuldades de integração com outros sistemas e limitações para expansão futura da solução.
Além disso, a decisão de compra não deve considerar apenas o investimento inicial. Aspectos como disponibilidade de acessórios, facilidade de treinamento das equipes, custos de manutenção, capacidade de integração com prontuários eletrônicos e potencial de crescimento da plataforma podem impactar significativamente o custo total de propriedade (TCO) da tecnologia ao longo dos anos.
Então, antes de iniciar um processo de aquisição, é fundamental compreender as características e necessidades de cada aplicação. E para te ajudar nesta missão, elaboramos este conteúdo, que reúne quase duas décadas de experiência da Equipacare Engenharia apoiando instituições de saúde na especificação, avaliação e seleção de monitores de sinais vitais.
Conheça os tipos de arquitetura dos monitores multiparamétricos
Atualmente, os monitores multiparamétricos podem ser classificados em três categorias principais: pré-configurados, modulares e mistos. Conheça as diferenças abaixo:
- Monitores pré-configurados: possuem parâmetros fixos definidos pelo fabricante. Sua principal vantagem é o menor custo de aquisição, a simplicidade de operação e a menor complexidade de treinamento das equipes.
- Monitores modulares: permitem a inclusão e remoção de módulos específicos conforme a necessidade clínica, oferecendo maior flexibilidade e capacidade de expansão futura. São amplamente utilizados em ambientes críticos, onde diferentes perfis de pacientes podem demandar parâmetros avançados de monitorização.
- Monitores mistos: combinam parâmetros básicos integrados ao equipamento com a possibilidade de expansão por meio da adição de módulos específicos ou da habilitação de parâmetros já previstos na plataforma, mediante a aquisição dos respectivos acessórios e sensores.
A escolha da arquitetura do monitor deve considerar o perfil assistencial da instituição e o planejamento de crescimento futuro.
Embora os monitores pré-configurados normalmente apresentem menor investimento inicial, essa economia nem sempre representa o menor custo ao longo da vida útil da solução. Em instituições que preveem crescimento, ampliação de serviços ou aumento da complexidade assistencial, plataformas com capacidade de expansão podem evitar substituições prematuras e proporcionar melhor aproveitamento do investimento realizado.
Por esse motivo, antes de comparar apenas o preço de aquisição, recomenda-se avaliar a estratégia de longo prazo da instituição, a possibilidade de expansão futura dos parâmetros clínicos e o custo total de propriedade (TCO) da tecnologia ao longo dos anos.
Defina onde o monitor será utilizado

O primeiro passo para uma aquisição assertiva é definir em qual setor o equipamento será utilizado. Cada ambiente hospitalar possui necessidades assistenciais específicas e, consequentemente, exige diferentes recursos de monitorização.
Enquanto uma enfermaria pode demandar apenas parâmetros básicos e facilidade de utilização, ambientes como UTI, centro cirúrgico ou transporte de pacientes críticos frequentemente exigem recursos avançados, integração com outros sistemas e maior capacidade de expansão. Por esse motivo, a mesma solução dificilmente será a mais adequada para todas as áreas da instituição.
A aquisição de recursos avançados para aplicações que não os exigem pode representar um aumento significativo de custo sem trazer benefícios proporcionais para a assistência. Da mesma forma, a especificação insuficiente para áreas de maior complexidade pode gerar limitações operacionais e comprometer a qualidade da monitorização clínica.
Por isso, antes de elaborar a especificação técnica, é fundamental compreender a necessidade clínica de cada setor e envolver a equipe assistencial no processo. A participação de médicos, enfermagem, Engenharia Clínica e demais usuários permite identificar requisitos que muitas vezes não são percebidos durante uma análise exclusivamente técnica ou comercial.
Quando esse alinhamento é realizado adequadamente, a instituição aumenta as chances de adquirir uma solução compatível com sua realidade assistencial, evitando investimentos desnecessários e reduzindo riscos de insatisfação dos usuários após a implantação.
Monitor de Triagem: O primeiro contato com o paciente
É durante a triagem que são coletadas as primeiras informações clínicas do paciente, servindo de base para classificação de risco e definição de prioridades de atendimento. Em muitos serviços de urgência e emergência, essas informações influenciam diretamente a identificação precoce de pacientes graves e a organização do fluxo assistencial. Neste cenário, são empregados os monitores de triagem. Segue abaixo algumas de suas características para especificação:
- Parâmetros normalmente utilizados: Pressão Não Invasiva (PNI); Saturação de Oxigênio (SpO₂); Temperatura.
- Características importantes para especificação: Carrinho dedicado para facilitar a mobilidade; Conectividade Wi-Fi; Leitor de código de barras para identificação do paciente; Integração com o prontuário eletrônico; Cálculo automático de EWS (Early Warning Score).
A combinação desses recursos permite maior produtividade da equipe e mais segurança durante o processo de triagem. Em instituições com grande volume de atendimentos, funcionalidades de conectividade e integração podem reduzir significativamente o tempo gasto com registros manuais, minimizar erros de identificação de pacientes e aumentar a rastreabilidade das informações coletadas.
Outro recurso que merece atenção é o cálculo automático de escores de alerta precoce, como o EWS (Early Warning Score). Essas ferramentas auxiliam na identificação de pacientes com potencial deterioração clínica, contribuindo para decisões mais rápidas e para a priorização adequada dos atendimentos.

Nas enfermarias, normalmente os pacientes apresentam menor complexidade clínica quando comparados aos ambientes críticos. Na maioria dos casos, monitores pré-configurados atendem plenamente às necessidades desse ambiente.
Isso não significa, porém, que a decisão de compra deva ser baseada exclusivamente no menor preço. Como esses equipamentos costumam estar distribuídos em grande quantidade pelo hospital, pequenas diferenças de custo operacional podem gerar impactos financeiros significativos ao longo dos anos.
Segue abaixo nossas recomendações de especificação de monitor para esta aplicação:
- Parâmetros normalmente utilizados: ECG; Pressão Não Invasiva (PNI); Saturação de Oxigênio (SpO₂); Frequência Respiratória; Temperatura.
- Características importantes para especificação: Facilidade de utilização; Baixo custo de operação; Alarmes configuráveis.
- Atenção à qualidade dos acessórios: Nas enfermarias, a alta rotatividade de pacientes faz com que acessórios como cabos de ECG, sensores de SpO₂, manguitos de pressão arterial e sensores de temperatura sejam constantemente conectados e desconectados. Por esse motivo, esse costuma ser um dos setores com maior desgaste de acessórios. Durante a aquisição, é importante avaliar não apenas o monitor, mas também a qualidade, durabilidade e disponibilidade de reposição desses componentes.
Uma solução com menor custo inicial pode gerar despesas maiores ao longo do tempo caso os acessórios apresentem falhas frequentes ou baixa durabilidade.
Em nossa experiência, esse é um dos aspectos mais frequentemente negligenciados durante processos de aquisição. Muitas vezes, o foco da negociação está concentrado apenas no valor do equipamento, enquanto os custos futuros com reposição de sensores, cabos, manguitos e demais acessórios acabam sendo subestimados. Dependendo do volume de utilização da instituição, essas despesas podem representar uma parcela relevante do custo total de propriedade (TCO) da solução ao longo de sua vida útil.
Por esse motivo, recomenda-se que a avaliação técnica considere não apenas o desempenho clínico do monitor, mas também a robustez dos acessórios, a facilidade de reposição, a disponibilidade de peças no mercado nacional e os custos de manutenção associados à operação cotidiana do equipamento.
Durante o transporte intra-hospitalar, ainda é comum observar hospitais removendo o monitor do leito e posicionando-o sobre a maca do paciente para realizar deslocamentos entre setores.
Embora essa prática seja frequente, ela pode gerar riscos significativos ao equipamento. Vibrações, movimentações bruscas ou impactos durante o transporte podem provocar a queda do equipamento, resultando em danos ao monitor, interrupção da monitorização e potenciais riscos para a segurança do paciente.
Além disso, a retirada frequente do equipamento do leito aumenta o desgaste de conectores, cabos e sistemas de fixação, reduzindo sua vida útil e elevando os custos de manutenção ao longo do tempo.
É importante lembrar que o transporte intra-hospitalar representa um dos momentos de maior vulnerabilidade para pacientes críticos. Durante deslocamentos para exames, procedimentos ou transferências entre setores, qualquer interrupção na monitorização pode dificultar a identificação precoce de alterações clínicas importantes. Por esse motivo, a estratégia de monitorização durante o transporte deve ser considerada ainda na fase de especificação da tecnologia.
Segue abaixo algumas recomendações para especificação:
- Parâmetros normalmente utilizados: ECG; Pressão Não Invasiva (PNI); Saturação de Oxigênio (SpO₂); Frequência Respiratória; Temperatura. E, dependendo do perfil do paciente, Capnografia (EtCO₂) e Pressão Arterial Invasiva (PAI).
- Características importantes para especificação: Baixo peso; bateria de longa duração; sistema de fixação adequado à maca; facilidade de transporte; resistência mecânica; continuidade da monitorização durante todo o deslocamento.
Atualmente existem soluções em que o monitor de transporte permanece integrado ao monitor modular do leito e pode ser desacoplado quando necessário. Dessa forma, o paciente continua sendo monitorado durante todo o trajeto e, ao retornar ao leito, os dados coletados durante o transporte permanecem disponíveis no sistema, preservando a continuidade das informações clínicas.
Ao avaliar propostas de equipamentos de monitorização, é importante considerar não apenas as necessidades do leito, mas também a estratégia de transporte dos pacientes. Em instituições com grande volume de exames, procedimentos e transferências internas, a adoção de monitores dedicados para transporte pode representar ganhos significativos em segurança assistencial, disponibilidade dos equipamentos, redução de danos físicos aos monitores de leito e maior eficiência operacional para as equipes.

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) reúne pacientes que demandam monitorização contínua e acompanhamento de parâmetros avançados para suporte à tomada de decisão clínica.
Diferentemente de outros setores do hospital, os pacientes internados em uma UTI podem apresentar necessidades muito distintas. Enquanto alguns necessitam apenas da monitorização básica, outros demandam recursos avançados para acompanhamento hemodinâmico, respiratório e metabólico. Por esse motivo, a especificação dos monitores deve considerar não apenas as necessidades atuais da unidade, mas também sua capacidade de adaptação a diferentes cenários clínicos ao longo do tempo.
Segue abaixo algumas recomendações para especificação:
- Parâmetros básicos: ECG; Pressão Não Invasiva (PNI); Saturação de Oxigênio (SpO₂); Frequência Respiratória; Temperatura; Pressão Arterial Invasiva (PAI).
- Parâmetros avançados frequentemente utilizados: Capnografia (EtCO₂) (1 a cada 10 leitos, conforme RDC nº 7/2010); Débito Cardíaco; Monitorização Hemodinâmica Avançada.
- Características importantes para especificação: Arquitetura modular; capacidade de expansão futura; integração com centrais de monitorização; integração com prontuário eletrônico; armazenamento de tendências e eventos clínicos.
Devido à diversidade de perfis clínicos encontrados na UTI, os monitores modulares costumam ser a opção mais adequada para esse ambiente. Essa arquitetura permite que novos parâmetros sejam adicionados conforme a necessidade de cada paciente, sem a substituição completa do equipamento.
Além da flexibilidade clínica, a modularidade oferece uma importante vantagem econômica. Em vez de adquirir todos os recursos avançados para todos os leitos, a instituição pode investir inicialmente em uma plataforma preparada para expansão e distribuir módulos específicos conforme a demanda assistencial. Essa estratégia reduz o investimento inicial e aumenta a eficiência na utilização dos recursos disponíveis.
Outro aspecto relevante é a padronização tecnológica. A utilização de uma única plataforma para diferentes níveis de monitorização simplifica treinamentos, reduz a complexidade operacional das equipes assistenciais e facilita os processos de manutenção, reposição de peças e gerenciamento do parque tecnológico.
Ao avaliar propostas para UTI, recomenda-se analisar não apenas os parâmetros disponíveis atualmente, mas também a capacidade de evolução da plataforma ao longo dos anos. A incorporação de novos recursos clínicos, integrações com sistemas hospitalares e atualizações tecnológicas pode prolongar significativamente a vida útil da solução e proteger o investimento realizado pela instituição.
O centro cirúrgico é um dos ambientes mais complexos do hospital quando o assunto é monitorização de pacientes. Durante um procedimento cirúrgico, a equipe assistencial precisa acompanhar continuamente parâmetros fisiológicos que permitam identificar rapidamente qualquer alteração clínica e garantir a segurança anestésica.
Por esse motivo, os monitores destinados a esse ambiente devem oferecer maior capacidade de expansão e suportar recursos específicos que normalmente não são necessários em outros setores da instituição. Além da precisão das informações clínicas, é fundamental que a solução escolhida contribua para a integração dos fluxos assistenciais, a rastreabilidade dos procedimentos e a eficiência operacional do centro cirúrgico.
Segue abaixo algumas das nossas recomendações para especificação:
- Parâmetros básicos: ECG; Pressão Não Invasiva (PNI); Saturação de Oxigênio (SpO₂); Temperatura; Capnografia (EtCO₂); Pressão Arterial Invasiva (PAI).
- Parâmetros frequentemente necessários: Índice Bispectral (BIS); Monitorização Neuromuscular (TNM); Análise de gases anestésicos.
- Características importantes para especificação: Tela ampla para visualização simultânea de múltiplos parâmetros; facilidade de expansão através de módulos; integração com equipamentos de anestesia; registro de tendências e eventos clínicos; conectividade com sistemas hospitalares.
Em pacientes submetidos à anestesia geral, a análise de gases anestésicos é considerada uma ferramenta fundamental para a segurança anestésica. A monitorização contínua das concentrações inspiradas e expiradas dos agentes anestésicos, do oxigênio e do dióxido de carbono permite um acompanhamento mais preciso da profundidade anestésica e auxilia na identificação precoce de situações potencialmente críticas durante o procedimento.
Integração com estação de anestesia e prontuário eletrônico

Ao avaliar monitores para centro cirúrgico, é importante verificar a capacidade de integração com a estação de anestesia. Essa funcionalidade permite que informações geradas pelo equipamento anestésico sejam visualizadas diretamente no monitor multiparamétrico, concentrando os dados clínicos em uma única interface e facilitando a tomada de decisão pela equipe assistencial.
Entre as informações que podem ser integradas estão parâmetros ventilatórios, concentrações de gases anestésicos, fração inspirada de oxigênio (FiO₂), frequência respiratória, volumes pulmonares e outros dados relevantes para o acompanhamento do paciente durante o procedimento.
Outro aspecto cada vez mais relevante é a capacidade de integração com o prontuário eletrônico. Em muitos centros cirúrgicos, ainda é comum que parte das informações anestésicas seja registrada manualmente, o que aumenta o tempo dedicado à documentação e cria oportunidades para erros de transcrição ou perda de informações.
Quando monitor multiparamétrico, estação de anestesia e prontuário eletrônico operam de forma integrada, os parâmetros podem ser registrados automaticamente, criando um histórico clínico mais completo, preciso e rastreável. Além dos ganhos assistenciais, essa integração reduz atividades administrativas da equipe, melhora a qualidade dos registros, facilita auditorias e fortalece processos de acreditação hospitalar.
Ao comparar propostas, recomenda-se avaliar não apenas os parâmetros monitorados, mas também a capacidade de integração entre monitor multiparamétrico, estação de anestesia, centrais de monitorização e prontuário eletrônico. Nos centros cirúrgicos modernos, a conectividade entre sistemas deixou de ser apenas um diferencial tecnológico e passou a representar um importante fator de produtividade, segurança e qualidade assistencial.
Ao planejar um sistema de monitorização, é comum que a atenção esteja concentrada nos monitores à beira-leito. Entretanto, a central de monitorização desempenha papel fundamental na gestão dos pacientes e deve ser considerada um componente estratégico da solução.
Sua principal função é permitir que a equipe acompanhe simultaneamente diversos pacientes a partir de uma única estação de trabalho, visualizando curvas fisiológicas, parâmetros vitais, tendências clínicas e alarmes em tempo real.
Em ambientes como UTI, unidade coronariana, recuperação anestésica e pronto atendimento, essa visualização centralizada contribui para uma vigilância mais eficiente e para a identificação precoce de alterações clínicas potencialmente críticas.
Além disso, a central de monitorização desempenha um papel importante na gestão dos alarmes clínicos. Em unidades com grande quantidade de pacientes monitorados, a adequada configuração e priorização dos alarmes ajuda a reduzir a chamada fadiga de alarmes, fenômeno cada vez mais discutido na área da segurança do paciente e que pode comprometer a resposta da equipe assistencial a eventos realmente relevantes.
Recursos importantes
- Visualização simultânea de múltiplos pacientes;
- Gerenciamento inteligente de alarmes;
- Tendências e históricos clínicos;
- Armazenamento de eventos;
- Integração com prontuário eletrônico;
- Expansão de leitos monitorados;
- Relatórios e exportação de dados;
- Controle de acesso e rastreabilidade de usuários.
Integração com prontuário eletrônico
Assim como os monitores à beira-leito, a central de monitorização deve ser avaliada sob a ótica da integração com os sistemas hospitalares.
A transferência automática dos dados para o prontuário eletrônico reduz a necessidade de registros manuais, melhora a rastreabilidade das informações e contribui para a construção de um histórico clínico mais completo. Além disso, a integração facilita auditorias, geração de indicadores assistenciais e processos de acreditação hospitalar.
À medida que hospitais ampliam suas estratégias de transformação digital, a central de monitorização passa a desempenhar também um papel relevante na consolidação de dados clínicos para análises operacionais, indicadores de qualidade e iniciativas de inteligência assistencial.
Avalie a capacidade de expansão
Um erro comum durante processos de aquisição é dimensionar a central apenas para a necessidade atual da instituição. Ao comparar propostas, é importante verificar:
- Quantidade máxima de leitos suportados;
- Necessidade de licenças para expansão;
- Possibilidade de adicionar novas unidades ou setores;
- Limitações de software e infraestrutura;
- Requisitos de servidores e armazenamento de dados.
Uma solução que aparentemente possui menor custo inicial pode demandar investimentos adicionais significativos quando houver necessidade de expansão futura. Por esse motivo, recomenda-se que a arquitetura da solução seja avaliada considerando os planos de crescimento da instituição para os próximos anos.
Estações remotas e mobilidade
Algumas soluções permitem a instalação de estações remotas em postos de enfermagem, salas médicas e outras áreas assistenciais.
Além disso, determinadas plataformas possibilitam o acesso às informações por dispositivos móveis, permitindo que profissionais autorizados acompanhem alarmes e parâmetros mesmo fora da estação central.
Esses recursos podem contribuir para aumentar a agilidade da equipe e melhorar a resposta a eventos críticos, especialmente em instituições de grande porte ou com unidades fisicamente dispersas.
Infraestrutura e segurança da informação
Por fim, é importante lembrar que a central de monitorização depende diretamente da infraestrutura de tecnologia da informação da instituição.
Aspectos como disponibilidade da rede, redundância de comunicação, políticas de backup, proteção contra falhas e requisitos de cibersegurança devem fazer parte da avaliação técnica do projeto.
À medida que os dispositivos médicos se tornam cada vez mais conectados, a segurança da informação deixa de ser apenas uma preocupação da área de TI e passa a ser também um requisito fundamental para a continuidade operacional e a segurança assistencial.

Durante um processo de aquisição, é comum que as instituições avaliem equipamentos individualmente, buscando a melhor solução para cada setor. No entanto, é importante considerar os benefícios da padronização tecnológica entre as diferentes áreas do hospital.
Na prática, a monitorização de sinais vitais não deve ser analisada apenas como uma coleção de equipamentos isolados, mas como um ecossistema tecnológico que precisa funcionar de forma integrada ao longo de muitos anos. Sob essa perspectiva, a padronização pode representar um dos fatores de maior impacto na redução do custo total de propriedade (TCO) da solução.
A adoção de uma mesma plataforma de monitorização, ou ao menos de equipamentos do mesmo fabricante, pode gerar ganhos significativos para a operação hospitalar.
Treinamento das equipes
Quando os profissionais utilizam monitores com a mesma interface, lógica de navegação e configuração de alarmes, o processo de treinamento se torna mais simples e eficiente. Além de reduzir a curva de aprendizado, a padronização diminui a probabilidade de erros operacionais e aumenta a confiança dos usuários na utilização dos equipamentos.
Em instituições com elevada rotatividade de profissionais ou programas contínuos de capacitação, essa uniformidade pode representar uma importante redução de custos com treinamento e suporte operacional.
Compartilhamento de acessórios
Em muitos fabricantes, acessórios como cabos de ECG, sensores de SpO₂, manguitos de pressão arterial e sensores de temperatura podem ser compartilhados entre diferentes modelos da mesma linha.
Isso reduz a necessidade de manter estoques separados para cada setor, simplifica a gestão dos materiais e diminui o risco de indisponibilidade causada pela falta de acessórios compatíveis.
Facilidade de manutenção

A padronização também traz benefícios para as equipes de engenharia clínica e manutenção. A utilização de equipamentos com arquitetura semelhante reduz a quantidade de treinamentos necessários, facilita o diagnóstico de falhas, simplifica o gerenciamento de peças de reposição e reduz a complexidade do suporte técnico ao longo do ciclo de vida da tecnologia.
Além disso, quanto menor a diversidade tecnológica instalada, mais eficiente tende a ser a gestão do parque de equipamentos.
Integração com sistemas hospitalares
Projetos que utilizam uma única plataforma costumam apresentar menor complexidade de integração com centrais de monitorização, prontuários eletrônicos e demais sistemas hospitalares.
A padronização também reduz riscos durante atualizações de software, amplia a interoperabilidade entre os dispositivos e facilita futuras expansões da infraestrutura tecnológica da instituição.
Ganhos em negociações e contratos
Outro benefício frequentemente observado está relacionado à negociação comercial. Aquisições padronizadas costumam proporcionar melhores condições para contratos de manutenção, aquisição de acessórios, atualizações de software, treinamentos e expansão do parque tecnológico.
Além disso, a concentração do volume de compra em uma única plataforma pode aumentar o poder de negociação da instituição junto ao fabricante.
Padronizar não significa utilizar o mesmo monitor em todos os setores
É importante destacar que a padronização não significa adquirir exatamente o mesmo modelo para todas as áreas do hospital.
Cada ambiente possui necessidades específicas e continuará demandando configurações distintas. Uma UTI, por exemplo, possui requisitos muito diferentes daqueles encontrados em uma enfermaria ou em uma sala de recuperação anestésica.
O objetivo da padronização é buscar plataformas compatíveis entre si, capazes de compartilhar acessórios, infraestrutura, conhecimento técnico e estratégias de integração.
Quando bem planejada, a padronização contribui para reduzir custos operacionais, simplificar a gestão dos equipamentos, aumentar a eficiência das equipes assistenciais e fortalecer a governança tecnológica da instituição, criando uma base mais sustentável para o crescimento futuro do parque tecnológico.
Conclusão

Não existe um monitor multiparamétrico ideal para todas as áreas do hospital. A escolha adequada depende da aplicação clínica, da complexidade dos pacientes, dos parâmetros necessários em cada ambiente e da estratégia tecnológica da instituição.
Ao longo deste artigo, vimos que a especificação de um monitor vai muito além da definição dos parâmetros fisiológicos que serão monitorados. Aspectos como arquitetura da plataforma, capacidade de expansão, integração com sistemas hospitalares, disponibilidade de acessórios, estratégia de transporte de pacientes, centrais de monitorização e padronização tecnológica podem impactar significativamente os custos operacionais, a eficiência das equipes e a qualidade da assistência prestada.
Uma aquisição bem planejada deve considerar não apenas o investimento inicial, mas todo o ciclo de vida da tecnologia. Custos de manutenção, reposição de acessórios, treinamentos, atualizações, integrações e futuras expansões podem representar valores tão relevantes quanto a aquisição do equipamento em si.
Por esse motivo, recomendamos que processos de aquisição sejam conduzidos de forma multidisciplinar, envolvendo áreas assistenciais, tecnologia da informação, suprimentos e, principalmente, a Engenharia Clínica. Quando essas decisões são tomadas de forma estruturada e alinhadas às necessidades reais da instituição, os resultados normalmente aparecem na forma de maior segurança para os pacientes, melhor experiência para os profissionais, maior eficiência operacional e melhor aproveitamento dos recursos financeiros disponíveis.
Mais do que adquirir equipamentos, o objetivo deve ser construir uma solução de monitorização capaz de acompanhar a evolução da instituição e sustentar a qualidade assistencial pelos próximos anos.
Caso sua instituição esteja planejando a aquisição, renovação ou padronização de monitores multiparamétricos e deseje apoio técnico especializado na elaboração das especificações, análise comparativa de propostas ou condução do processo de seleção, a equipe da Equipacare Engenharia está à disposição para ajudar. Entre em contato pelo e-mail contato@equipacare.com.br ou pelo telefone (24) 98119-1448.

