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PMOC hospitalar: o que é, o que a lei exige e como garantir uma gestão eficiente

  1. A RE nº 9/2003 foi revogada: Durante anos, a Resolução RE nº 9/2003 da Anvisa foi a principal referência de qualidade do ar interior, e a própria Lei nº 13.589/2018 faz menção a ela. No entanto, a resolução foi revogada pela RDC nº 886/2024, e a referência técnica passou a ser a ABNT NBR 17037:2023. Planos e laudos ainda baseados na RE nº 9/2003 devem ser revistos.
  • A NBR 7256 é a referência central para hospitais. Ela define diretrizes para o projeto, como os requisitos para as áreas críticas, que vão muito além do que se exige de um ambiente comercial. Para o PMOC, sua importância está em preservar, durante a operação e a manutenção, as condições de desempenho previstas em projeto para cada ambiente.
  • O limite de 5 TR não dispensa o PMOC. A Portaria nº 3.523/1998 traz exigências específicas de responsabilidade técnica para sistemas com capacidade acima de 5 TR (60.000 BTU/h). Esse limite, porém, não deve ser interpretado como dispensa da obrigação de PMOC para sistemas menores, especialmente diante da Lei nº 13.589/2018.

  1. Inventário dos sistemas e equipamentos: O ponto de partida é cadastrar todos os sistemas de climatização: unidades de tratamento de ar, splits, fancoils, chillers, sistemas de ventilação e exaustão e dutos. Cada ativo deve ter identificação, localização, características técnicas e associação aos ambientes que atende.
  • Classificação dos ambientes por criticidade: Um sistema que atende uma área administrativa não tem as mesmas exigências de um que atende um centro cirúrgico, uma UTI, um isolamento, a CME ou a farmácia. Classificar os ambientes permite definir prioridades e critérios de manutenção proporcionais ao risco.
  • Planejamento das manutenções: O plano deve estabelecer rotinas de inspeção, manutenção preventiva, limpeza, higienização e substituição de componentes, tais como:
    • Inspeção e troca de filtros, incluindo a verificação da integridade dos filtros de alta eficiência (ISO 35H);
    • Limpeza de dutos, serpentinas, bandejas e drenos de condensado;
    • Verificação de ventiladores, motores e sistemas de transmissão;
    • Verificação dos dispositivos de controle e automação;
    • Avaliação das condições de captação, distribuição e renovação do ar;
    • Inspeção dos sistemas de ventilação, exaustão e dutos.
  • Monitoramento das condições ambientais: Executar a manutenção não basta, é preciso verificar se o sistema está entregando o desempenho esperado. Conforme o ambiente, isso envolve temperatura, umidade, vazões de ar, trocas de ar por hora e diferenciais de pressão, além das avaliações de qualidade do ar interior conforme a NBR 17037. Inspeção de manutenção e avaliação da qualidade do ar são atividades complementares, mas não equivalentes.
  •  Registros e rastreabilidade: Toda atividade deve gerar evidências: ordens de serviço, checklists, medições, laudos, registros de troca de componentes e histórico de ocorrências. Esse histórico comprova as intervenções, revela tendências de falha e apoia decisões técnicas.
  • Tratamento das não conformidades: Quando uma inspeção ou medição identifica algo fora dos parâmetros, é preciso registrar a ocorrência, avaliar o risco e definir ações corretivas. Em áreas críticas, algumas falhas exigem resposta imediata e articulação com as equipes assistenciais, a gestão de riscos e o SCIH. Um bom PMOC não apenas aponta problemas: garante que eles sejam acompanhados até a solução.
  • Procedimentos para situações não rotineiras: Obras, reformas e falhas inesperadas exigem medidas específicas para evitar a dispersão de poeira e contaminantes, especialmente em áreas próximas a pacientes.

  • Conhecer as instalações, os ambientes atendidos e os requisitos técnicos de cada um;
  • Definir procedimentos e periodicidades compatíveis com os equipamentos, as recomendações dos fabricantes e as normas aplicáveis, especialmente a NBR 7256 nas áreas críticas;
  • Orientar e acompanhar a execução, garantindo que a equipe de manutenção esteja capacitada e siga os procedimentos definidos;
  • Analisar resultados e não conformidades, interpretando registros, medições e laudos de qualidade do ar e recomendando ações corretivas;
  • Manter o plano atualizado sempre que houver novos equipamentos, reformas, mudanças no uso dos ambientes ou nas exigências técnicas;
  • Garantir a documentação técnica, com registros completos e disponíveis para a Vigilância Sanitária, as auditorias de acreditação e o SCIH.

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