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    1. Equipacare pergunta: O hospital moderno abriga uma ampla variedade de funções, sendo considerado o espaço mais dinâmico da sociedade contemporânea. Em sua visão como arquiteto, quais as principais mudanças estão motivando atualizações nos modelos de assistência e gestão hospitalar?

Jonas BadermannAcredito que os três fatores mais importantes para esta mudança são (1) a evolução tecnológica acelerada, (2) o maior nível educacional das pessoas e (3) o maior acesso à informação. Como resultado temos um novo perfil de exigências e expectativas dos usuários e também nas relações entre prestadores de saúde e pacientes.

     2. Equipacare pergunta: E neste cenário de trabalho, como está sendo para o arquiteto hospitalar lidar com este novo contexto de  exigências?

Jonas BadermannBem, o arquiteto tem sido cada vez mais solicitado a integrar o grupo gerencial para dar suporte técnico na organização espacial dos hospitais. A prática da arquitetura hospitalar pressupõe um preparo que extrapola a simples composição formal e programática e exige conhecimento específico e abrangente. Envolver-se com ela significa conhecer, além do objeto em si, sua função, mercado, tendências, custos e remunerações dos serviços, relações, ou seja, o conjunto de atividades que possibilita sua macroorganização – o Plano Diretor Hospitalar.

      3. Equipacare pergunta: Falando sobre Plano Diretor, achamos que muita gente conhece esta expressão, mas poucos sabem ao certo o que contempla e o que considerar num verdadeiro Plano Diretor. Qual é a sua concepção?

Jonas BadermannAo iniciar o desenvolvimento de um Plano Diretor deve-se definir claramente a razão de existir de um hospital, pois as organizações têm uma razão de ser, um objetivo, uma missão que é a síntese operativa de sua natureza e seus valores centrais. A razão de existir de um hospital resume-se a seu comprometimento com a sociedade em cinco pontos: (1) o que faz, (2) por que faz, (3) onde faz, (4) para quem faz e (5) como faz.

O Plano Diretor deve conter a visão global e integrada de todos os elementos que incidem no funcionamento de um hospital. Não deve se limitar à análise espacial, aspecto no qual se centrará o resultado, senão que deve incluir os aspectos sócio-econômicos, tecnológicos, assistenciais, administrativos e do entorno geográfico. Esta análise serve para guiar as discussões, decisões, necessidades programáticas, fases de implementação e deve alcançar futuras ampliações e reformas. Alguns autores definem Planos Diretores com variações e ênfases diferentes com o propósito de comprovar conceitos individuais manifestados em suas análises.

      4. Equipacare pergunta: Então, poderíamos dizer que o Plano Diretor é o trabalho que faz a relação entre planejamento estratégico e o projeto arquitetônico do empreendimento?

Jonas BadermannCom certeza! O Plano Diretor é a ferramenta que une o direcionamento das ações estratégicas com a organização espacial visando edificações mais modernas e flexíveis para enfrentar os cenários futuros. Inclusive contempla preocupações com os aspectos de sucateamento, atualização e crescimento. Também se preocupa com as questões de financiamento do empreendimento para sua concretização. Portanto, o Plano Diretor é peça fundamental para qualquer organização, seja pública ou privada, envolvendo não apenas o planejamento da infraestrutura física, administrativa e financeira, mas também os aspectos culturais, epidemiológicos e sociais. 

      5. Equipacare pergunta: Entendido! Mas fazendo referencia ao que você disse sobre o cenário de trabalho atual ser marcado por constantes e rápidas mudanças…Isto exige novo formato, ou novas considerações aos Planos Diretores Hospitalares?

Jonas BadermannCertamente que cada vez mais o Plano Diretor deverá corresponder a essas inconstantes condições externas e internas dos diversos cenários. É retratando as realidades circunstanciais que ele adquire qualidade. Em face disso, o Plano Diretor torna-se a referência que todo o hospital deve ter para a sua evolução. Ele direciona as políticas de gestão. Seus critérios estabelecem um sistema de controle e de avaliação que facilita sua própria reorientação, sendo por isso caracterizado como uma ferramenta dinâmica.

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         6. Equipacare pergunta: Algumas vezes nos parece que o Plano Diretor é um trabalho que acaba ficando restrito à alta gestão hospitalar (diretoria), mas por outro lado poderia ser algo de conhecimento dos demais colaboradores, assim como já é comum as grandes empresas divulgarem amplamente para seus funcionários os resultados e objetivos de seus planejamentos estratégicos. Você vê o Plano Diretor desta mesma forma?

Jonas BadermannTotalmente, isto é muito importante. A transparência e visualização do Plano Diretor Hospitalar também servem de estímulo e empolgação para os envolvidos com a missão institucional, pois permitem vislumbrar o “espírito” da organização de saúde com a qual estão comprometidos e passam maior parte de seu tempo.

 

Sobre Jonas Badermann

A Badermann Arquitetos está comprometida com a qualificação e a transformação dos ambientes de saúde. Desenvolve projetos que se destacam pela humanização e funcionalidade respaldados pelo conhecimento e domínio da boa técnica. Sua experiência alicerça soluções de projeto indicadoras da arquitetura como meio terapêutico, ampliando o bem-estar dos pacientes e profissionais. Conheça a empresa pelo link: http://www.badermannarquitetos.com.br/

 


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