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Em todo projeto de Centro Cirúrgico ou de UTI é necessário prever uma área para guardar equipamentos e materiais chamada de Depósito de Equipamentos e Materiais,  segundo a RDC50/2002. Prever esse depósito com a estrutura adequada não é apenas obrigatório, mas contribui também com a produtividade dos serviços hospitalares.

Com isso em mente, separamos 7 dicas que irão auxiliar não só arquitetos hospitalares, mas também sejam de interesse profissionais da enfermagem e da engenharia clínica.

Confira as super dicas para projetar Depósito de Equipamentos:

1) QUE TENHAM MUITAS, MAIS MUITAS TOMADAS

Sim, a falta de uma quantidade suficiente de tomadas é o principal erro de projetos hospitalares quando se fala de área de guarda de equipamentos e materiais. É realmente frequente visitarmos uma obra ou hospital já operante e observar depósitos com apenas 3 ou 4 tomadas baixas, como se fossem uma sala administrativa qualquer.

depósito de equipamentos e materiais

Em um depósito de equipamentos, tomada nunca é suficiente.

Por isso, é muito importante que a equipe de arquitetura, enfermagem ou engenharia clínica orientem o responsável pelo projeto elétrico. Principalmente se perceber que é um prestador com pouca experiência sobre o ambiente hospitalar, nesse caso, é preciso explicar que o depósito de equipamentos abrigará uma alta gama de aparelhos que ficarão guardados ligados nas tomadas carregando suas baterias, para estarem prontos para o uso quando requeridos.

Ou melhor, mostre este post ao responsável pelo projeto elétrico, para que assim, ele veja a imagem abaixo e projete tomadas em diferentes alturas e em uma quantidade de pelo menos 2 tomadas para cada 50 cm de prateleira.

2) PRATELEIRAS COM DIFERENTES ESPAÇOS DE ALTURA

Outra falha recorrente é  a falta de mobiliário adequadamente projetado para essas áreas, ou as vezes, até há boa quantidade de prateleiras, mas essas não foram corretamente projetadas para atender as diferentes dimensões dos equipamentos médicos que precisam ser guardados.

O ideal é que o arquiteto hospitalar projete estantes com 45 cm de profundidade, mas que tenham diferentes alturas entre as prateleiras considerando equipamentos pequenos, médios e grandes.

Recomendamos que hajam diferentes estantes de prateleiras, respectivamente com as alturas de 30 cm, 45 cm e 70 cm.

3) ÁREA PARA ESTACIONAMENTO DE GRANDES EQUIPAMENTOS

Já falamos na dica acima sobre a necessidade de muitas estantes para guardar os equipamentos pequenos, médios e grandes. Mas também temos que dar uma solução adequada para os demais equipamentos de grande porte que muitas vezes estão em pedestais com rodízios ou têm estrutura de estante/rack.

depósito de equipamentos e materiais

Estacionamento de grandes equipamentos

Nada melhor do que já prever no projeto uma área para estacionamento desses grandes equipamentos e demarcar no piso com fita amarela. São fitas produzidas em filme plástico vinílico (PVC) revestido com adesivo de borracha, tendo uma ótima resistência à abrasão e à maioria dos produtos químicos de limpeza.

4) PONTOS DE GASES E TOMADA DO APARELHO RADIOLÓGICO

Ainda falando sobre área de estacionamento para grandes equipamentos. Esses locais são também a melhor posição para disponibilizar pontos de oxigênio e de ar-comprimido para realizar testes de funcionamento em equipamentos de ventilação, tais como aparelhos de anestesia e ventiladores pulmonares.

Além desses tipos de equipamentos, poderá ser necessário usar esse local para testar equipamentos como Raios-x Móvel ou Arco Cirúrgico. Portanto, sempre prevemos nesta posição uma tomada especial padrão steck ou outro padrão que a diferencie das demais, com disjuntor dedicado.

5) ARMÁRIO PARA GUARDA DE MANUAIS E DOCUMENTOS

Também não podemos esquecer de disponibilizar para essa sala um armário para a guarda de manuais. Nunca se sabe quando será necessário ter a mão esses documentos para tirar alguma dúvida operacional ou técnica, portanto, é ótimo que estejam bem organizados e fáceis de achar.

Veja também: Fato ou Fake: 7 mitos sobre a Equipacare

Esse móvel não precisa necessariamente ser projetado para execução da marcenaria, pois é facilmente encontrado em linhas de fabricantes de móveis para escritório.

6) GAVETEIRO PARA GUARDA DE ACESSÓRIOS

Os equipamentos médicos são acompanhados de vários acessórios e cabos, que precisam ser guardados de forma organizada. Portanto, vale muito a pena ter disponível nesta área um ou dois gaveteiros.

depósito de equipamentos e materiais

Depósito de Equipamentos e Materiais

Se possível, inclua dentro das gavetas separadores e organizadores de acordo com os tipos de materiais que serão guardados. Além dos cabos e sensores, é previsível a disposição de baterias, pilhas, bobinas de papel, etc.

Esses gaveteiros também são um tipo de móvel que se encontra para comprar em linhas de fabricantes de mobiliário de escritório.

7) BANCADA DE APOIO COM COMPUTADOR

Conforme falamos na introdução desse post, essas áreas para depósitos de equipamentos e materiais estão dispostas especialmente em setores como UTI e Centro Cirúrgico, mas também estão presentes em setores como Internação e Hemodinâmica. Contudo, são nos dois primeiros onde se requer a maior estrutura devido a grande concentração de equipamentos.

depósito de equipamentos e materiais

Estação de trabalho no depósito de equipamentos

Ao mesmo tempo, são justamente nesses setores críticos em que há uma maior limitação de acesso, passando por vestiário de barreira e procedimento de paramentação (troca de vestes rotineiras por vestimentas adequadas, com EPIs como propés, touca e máscara).

Portanto, torna-se improdutivo para a engenharia clínica ter acesso a esses setores para atender à um chamado de manutenção corretiva. Ter que se paramentar, depois retirar o equipamento para o setor de engenharia clínica, para só então descobrir que era apenas uma bateria ou acessório que precisava ser trocado, ou coisa simples similar. Isso é ineficiente, inclusive para o Negócio do Hospital.

Mais dicas em: Dicas para Implantação de Salas Cirúrgicas Inteligentes

Nessas situações, nada melhor do que ter a disposição, no depósito de equipamentos dentro desses setores, uma área adequada para testar os equipamentos e realizar a troca de acessórios. Vale destacar em negrito e sublinhado que não é indicado realizar nesses ambientes manutenção interna, tais como reparo de placas, etc.

Porém, como a maioria dos chamados ocorrem por problemas simples como aqueles citados acima, ou por dúvidas dos usuários sobre configuração do aparelho, esta bancada acaba sendo muito utilizada. Por esse motivo, também recomendamos que exista nela um computador para acesso ao software de gestão da manutenção de engenharia clínica, trazendo ainda mais produtividade.

Acima da bancada pedimos que tenha uma prateleira alta e com firmeza para aguentar o peso de alguns equipamentos. Para essa prateleira e bancada também solicitamos que se tenha algumas tomadas logo acima.

CONSIDERAÇÕES FINAIS E UM PRESENTE AOS AMIGOS   

Com esse post, ficamos na expectativa de que as dicas e imagens 3D que foram gentilmente elaboradas por nossa equipe de projetos, possam de algum modo ajudar para que os futuros projetos hospitalares compreendam novos depósitos de equipamentos com espaço e funcionalidades adequadas para o desenvolvimento das atividades.

Aos amigos, deixamos de presente dois arquivos com os detalhes de projeto para marcenaria e para os pontos de elétrica e gases, basta acessar pelo link abaixo:

E qualquer sugestão que tiver, fique à vontade para deixar seus comentários. Ah, e se gostou, compartilhe com os colegas!

Formado em Engenharia Elétrica com Ênfase em Engenharia Clínica pela Universidade Federal de Itajubá, cursou Gestão de Empresas pela FGV-Rio, pós-graduação em Gestão em Saúde com Ênfase em Administração Estratégica (em andamento). Diretor Geral da Equipacare Engenharia, empresa pela qual já prestou consultoria para mais de 90 projetos hospitalares em todas as regiões do Brasil. Atualmente é o principal consultor de engenharia clínica do Sistema Unimed, já tendo atendido mais de 45 singulares. Suas especialidades são o planejamento, especificação, negociação, comissionamento de instalação e gestão de tecnologias médicas para empreendimentos hospitalares.