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A conectividade é, sem dúvida, o fator de revolução tecnológica mais relevante do momento. A integração dos diversos elementos que antes trabalhavam isoladamente, criou soluções novas aos desafios, garantindo maior informação e produtividade.

Inserido nessa revolução, o setor de saúde vem aderindo à essas soluções de conectividade em seus setores e serviços principais. O Centro Cirúrgico é um dos ambientes que mais podem ser favorecidos, devido à sua criticidade e importância para o negócio hospitalar como um todo.

Além disso, é um setor que concentra grande quantidade de equipamentos, e por esse motivo, soluções que permitam melhor organização e integração são ainda mais preciosas.

TENDÊNCIA DE INTEGRAÇÃO NOS HOSPITAIS

Como já dito, o setor de saúde passa por um processo de reestruturação de seus serviços, movido em parte pelo lançamento de novas tecnologias, mas principalmente pela integração das tecnologias já existentes.

Isso caracteriza a chamada Indústria 4.0, termo que define a revolução que estamos passando em todas as áreas, cujas principais palavras-chave são conectividade, integração e informação digital.

Desse modo, a maneira como você é tratado dentro de um ambiente hospitalar vêm mudando junto com os processos de integração tecnológica.  

Uma dessas mudanças, por exemplo, vem da evolução dos Sistemas de Informação Hospitalar (HIS) cujas primeiras versões trabalhavam mais isoladamente, e agora, são comercializados com Módulos Diversificados que além de dinamizarem os fluxos de trabalho, podem ser integrados com outros sistemas e até com os equipamentos médicos.

Isso está sendo possível pela ampla adoção do Protocolo de Comunicação Digital HL7, (padrão internacional para comunicar computadores com equipamentos médicos) pelo qual estão sendo integrados os conceitos de Machine to Machine (M2M) e Internet das Coisas (IoT), potencializando a troca de dados entre aparelhos, sensores e sistemas informatizados.

Nessa direção, o Centro Cirúrgico torna-se um dos setores hospitalares com maior potencial de ganho, já que concentra ampla quantidade de equipamentos, apresenta grandes custos e um alto potencial de receita. Logo, qualquer melhoria incremental na produtividade desse setor é relevante ao negócio hospitalar.  

SALAS CIRÚRGICAS INTELIGENTES

O termo Salas Cirúrgicas Inteligentes, ficou mais conhecido, provavelmente por ser um jargão mais marqueteiro, mas na realidade trata-se de Salas Cirúrgicas Integradas.

Se diferenciam dos ambientes convencionais por apresentar elementos estruturais que permitem o fluxo de dados entre equipamentos e sistemas de gerenciamento, disponibilizando-os de forma adequada para a equipe cirúrgica.

Além disso, essas salas têm como foco a realização de cirurgias por vídeo, procedimentos menos invasivos e cada vez mais precisos, que proporcionam maior segurança ao paciente, maior ergonomia à equipe cirúrgica e aumento na produtividade do setor.

Uma vez que se encontra nesses locais um alto valor de investimento, muita tecnologia aplicada e grande fluxo de informações, manejar tal complexidade é um desafio único em cada projeto, que requer a participação dos setores de Engenharia Clínica e Tecnologia da Informação.

SOLUÇÕES DISPONÍVEIS

Quando se deseja instalar ambientes como esse, os hospitais optam, na maior parte das vezes, por contratar a solução de fornecedores de equipamentos hospitalares.

Caso seu hospital esteja para iniciar esse processo de cotação, você geralmente encontrará uma solução pronta dentro do portfólio dos principais fornecedores de Focos Cirúrgicos e/ou fornecedores de Sistemas de Vídeo-cirurgia.

Dependendo de como for contratado o serviço, eles serão responsáveis pelo fornecimento dos equipamentos, sistema de roteamento e gravação das imagens, e pelo planejamento da estrutura.

Contudo, a primeira coisa que a Engenharia Clínica e a TI (juntas) devem discutir com os demandantes do Hospital (equipe cirúrgica, diretoria) é o escopo de requisitos a serem atendidos, separando bem as necessidades dos desejos para não onerar a solução com elementos secundários que não serão utilizados.

Conforme pesquisa de mercado que realizamos, as soluções de Salas Inteligentes disponíveis no mercado agregam os seguintes requisitos principais:

  1. Estrutura Ergonômica proporcionada por estativas e braços para monitores;
  2. Distribuição das Imagens na Sala, tanto nos braços quanto nas paredes (monitores);
  3. Agregar equipamento adequado para Gravação com Qualidade (Full-HD);
  4. Poder Indexar as Imagens Gravadas ao PEP (prontuário eletrônico do paciente), que podendo ser direto no HIS ou através do PACs, convertendo a imagem em padrão DICOM;
  5. Realizar Vídeo-transmissão com finalidade de ensino/treinamento;
  6. Realizar Teleconferência com Imagem e Voz, em tempo real à cirurgia de modo a uma equipe externa à sala poder colaborar com a equipe cirúrgica;
  7. Ter o Controle Centralizado dos Equipamentos, ou seja, de uma mesma interface – geralmente um monitor touchscreen – controlar coisas como a luminosidade do foco cirúrgico, ou a potência do bisturi elétrico;
  8. Ter o Controle Centralizado por Comandos de Voz, que seria a mesma coisa que o item anterior, mas com comandos dados por um microfone, por exemplo, vestido no cirurgião;
  9. Dispor de controle centralizado, inclusive das Condições do Ambiente da Sala Cirúrgica, tais como, luminosidade ou temperatura da sala.

Perceba que se esse trabalho de Definição dos Requisitos não for bem realizado, o Hospital corre o risco de adquirir funções que elevarão o preço da solução em muitas vezes.

Com isso em mente, visitamos importantes hospitais do Brasil que já trabalhavam com diversas salas cirúrgicas inteligentes, e perguntamos quais funções realmente eram mais utilizadas, ou que mais agregavam valor ao trabalho cirúrgico.

Eis o resultado dessa pesquisa na listagem abaixo: 

Os itens de 01 a 05, na lista acima, são os requisitos mais desejados pelas equipes cirúrgicas e os itens de 06 a 09 foram os que várias vezes quando disponíveis, estavam sendo pouco ou nada utilizados.

Com essa informação, iniciamos um trabalho interno para desenvolver um projeto de estrutura que atendesse aos requisitos de 01 a 05, com um valor de investimento que fosse acessível para qualquer porte de hospital.

E é sobre esse projeto que vamos falar a seguir:  

PROJETO EQUIPACARE – SALA INTELIGENTE DE BAIXO CUSTO

Foto: Pátio de construção do Novo Hospital Sul Capixaba em sua quinta etapa. Reprodução Site Unimed.coop.br

Após pesquisa de necessidade dos clientes, consulta com fornecedores, implantação nos primeiros hospitais e posterior aperfeiçoamento do projeto inicial, disponibilizamos na imagem abaixo como ficou a solução da Sala Inteligente de Baixo Custo da Equipacare:

Foto: Pátio de construção do Novo Hospital Sul Capixaba em sua quinta etapa. Reprodução Site Unimed.coop.br

Para melhor entendimento dessa solução que propomos, listaremos abaixo os itens presentes na imagem acima explicando um-a-um:

1. FOCO CIRÚRGICO COM MULTIMÍDIA

Foco cirúrgico com iluminação de alta qualidade é um pré-requisito para se obter bons resultados na sala cirúrgica. Melhor ainda é poder ver qualquer imagem estática ou dinâmica em um dos braços desse foco, com grande mobilidade e ergonomia.

Com isso em mente, é preciso prever pelo menos um terceiro braço com monitores em nossa sala inteligente.

Esse braço pode vir com um ou dois monitores full HD de grau cirúrgico, que são próprios para utilização no ambiente cirúrgico. Eles são instalados no sistema de maneira que possam apresentar informações do paciente, exames de diagnóstico por imagem e visualização de imagens do procedimento cirúrgico que está sendo realizado.

Ainda nesse conjunto de focos, aconselhamos incluir o opcional de preparação para câmera HD em uma das cúpulas (na imagem acima, vê-se a câmera na cúpula da esquerda).

Lembrem-se ainda de orientar a equipe de arquitetura a reservar desde o projeto básico, uma área de 0,5m² no centro geométrico da sala para a ancoragem deste conjunto de foco.

2. ESTATIVAS CIRÚRGICAS

A. ESTATIVA DE ANESTESIA: A estativa de anestesia é uma coluna suspensa geralmente posicionada mais para o fundo da sala cirúrgica, próximo à cabeceira da mesa cirúrgica (está é a posição cirúrgica padrão, mas pode variar). Pode possuir um ou dois braços articulados para sua movimentação, onde se acopla e suspende o sistema de anestesia, garantindo maior ergonomia, mobilidade, facilidade e precisão nos posicionamentos do sistema a cada procedimento.

Foto: Pátio de construção do Novo Hospital Sul Capixaba em sua quinta etapa. Reprodução Site Unimed.coop.br

Quando estiver projetando a sala cirúrgica, reserve para instalação desta estativa uma área mínima de 1m² distanciada de 1,60m a 1,80m do centro da sala em direção ao fundo. Lembrando que essa medida pode ser alterada de acordo com o tamanho da sala e dos equipamentos que são previstos na mesma.

B. ESTATIVA DE VÍDEOCIRURGIA: Possuí características muito próximas à estativa de anestesia, tendo como principal diferencial sua coluna, que é configurada com diversas prateleiras, braços e até gavetas para receber sistema de vídeo-cirurgia com diversos acessórios ou suspender outros tipos de equipamentos.

Para seu posicionamento também solicitamos prever uma área mínima de 1m² em distância aproximada de 1,60m a 1,80m do centro da sala, só que em direção à parte posterior da sala cirúrgica.

O layout abaixo ilustra o posicionamento de ambas as estativas e do foco cirúrgico com braço de multimídia.

3. PONTOS DE INSTALAÇÕES

Com nossa vivência em projetos de centro cirúrgico, chegamos à conclusão de que a quantidade de pontos sugerida pela RDC50/2002 está desatualizada para as necessidades atuais e que, portanto, precisávamos propor um novo padrão de quantidade de pontos para esse ambiente.

Segue abaixo, um padrão que pode ser aplicado na maioria dos casos, mas sempre é necessário debater com a equipe cirúrgica, em especial, sobre o uso e disposição dos gases medicinais especiais, que são: N2, CO2 e N2O.

4. TOMADAS ESPECIAIS

Além dos pontos de tomadas previstos no item 3 (acima), aconselhamos utilizar nas salas cirúrgicas tomadas especiais para a ligação dos aparelhos radiológicos portáteis (arco cirúrgico e raios-x móvel). Geralmente usamos os padrões tipo Schuko ou Steck.

Como esses equipamentos possuem requisitos diferenciados de alimentação elétrica, com potência mais elevada e, além disso, não devem ser ligados ao sistema IT médico (proteção DSI), é conveniente e mais seguro utilizar um tipo de tomada diferente que permita ligar apenas os equipamentos radiológicos e que não seja compatível com nenhum outro equipamento presente na sala, como os equipamentos de suporte a vida que devem ser ligados nas tomadas do sistema IT.

5. IMPLANTAÇÃO DE WALLPLATES

 

Outro item de grande importância para a eficiência de nossa solução, é o uso de wallplates.

Wallplate é o nome que se dá às entradas de sinais, sejam elas analógicas ou digitais, que são selecionadas e posicionadas estrategicamente em uma ou mais paredes das salas cirúrgicas para conexão dos equipamentos geradores de imagens levantados antecipadamente pela engenharia clínica, tais como: Microscópio Cirúrgico com Câmera, Sistema de Vídeo-cirurgia e Arco Cirúrgico.

Geralmente são instalados em caixas 4×2 ou 4×4, mas há casos em que, por instalar conversores em seu interior, será necessário utilizar caixas de 15cmx15cm ou superior.

Foto: Pátio de construção do Novo Hospital Sul Capixaba em sua quinta etapa. Reprodução Site Unimed.coop.br

6. MONITORES DE PAREDE

Além dos monitores previstos nos braços do conjunto dos focos cirúrgicos, é bastante interessante prever o posicionamento de um ou mais monitores de parede, geralmente televisões ultrafinas de tecnologia LED.

A justificativa para termos esses monitores é que não apenas a equipe de cirurgiões precisa estar atenta à evolução do status da cirurgia, como também o anestesista, o circulante, o instrumentador e toda a equipe presente na sala.

A gente brinca que esses monitores evitam que os profissionais da equipe tenham que ter “pescoço de girafa”.

Uma ótima maneira para se instalar esses monitores é um em cada lado da sala (duas paredes). O uso dos monitores garante maior ergonomia e produtividade para a equipe durante os procedimentos.

7. ESTAÇÃO DE TRABALHO

Muitos projetistas experientes se esquecem de prever nos projetos de salas cirúrgicas as Nurse Stationsestações de trabalho para enfermagem, elas são fundamentais para lançar informações da cirurgia, tais como consumo de materiais e medicamentos e obtenção dos dados do prontuário eletrônico do paciente.

Aliás, no contexto de integração hospitalar, é inconcebível projetar uma sala cirúrgica sem esta estação de informática.

O problema está, como afirmamos acima, que muitos projetistas se esquecem de prever nas plantas esta estação, e então, quando a obra está pronta, a mesma acabará sendo colocada em um local não planejado, podendo estar em uma posição ruim para a movimentação da sala.

Existem diferentes preferências quanto à posição desta estação, mas a maioria de nossos clientes prefere que esteja disposta próxima à entrada da sala, pois pelo que entendemos, geralmente o mesmo profissional que faz lançamentos no sistema poderá ter que sair durante a cirurgia para buscar mais materiais/insumos.

Considerando a existência desta estação, projetamos uma estrutura que comportasse além do computador, o sistema de gravação de imagens cirúrgicas e a matriz de roteamento de vídeo, dois itens que falaremos mais adiante.

8. MATRIZ DE VÍDEO

É o equipamento central da distribuição das imagens dentro da sala cirúrgica, realizando o roteamento das entradas, vindas dos Wallplates, e das saídas – direcionadas aos monitores de braço, de parede, gravador ou outra saída de transmissão.

De acordo com o projeto, normalmente adquirimos matrizes de vídeo em configuração 4×4 ou 8×8 (entradas x saídas). Mas vale ressaltar que há uma grande diferença no custo de aquisição entre uma opção e outra.

Foto: Pátio de construção do Novo Hospital Sul Capixaba em sua quinta etapa. Reprodução Site Unimed.coop.br

A escolha entre essas configurações deve ser feita com base no número de entradas de imagens que se deseja receber e no número de locais para os quais se deseja enviar essas imagens (monitores, gravador, ambiente externo etc).

Conforme esclarecemos no item 7 (acima), posicionamos os cabos de instalação dessa matriz na parte superior da estação de enfermagem junto com o gravador/conversor sobre o qual falaremos abaixo.

9. GRAVADOR/CONVERSOR

Esse equipamento é um dos itens mais relevantes da solução. Apesar de que utilizamos abaixo uma imagem do aparelho da marca Stryker, você encontrará ótimas opções dentre as demais marcas fabricantes de Sistemas de Vídeo-cirurgia.

O que você precisa checar é se a opção escolhida possui funções como:

  • Possibilitar a captura dos procedimentos em qualidade Full HD;
  • Possibilitar a gravação em mídia como DVD;
  • Possibilitar salvar em dispositivo USB;
  • Possibilitar converter as imagens para padrão DICOM de modo a exportar ao sistema PACs;
  • Ter saída de transmissão externa que poderá ser utilizada para enviar a imagem para um auditório ou para alguma outra solução de streaming de vídeo.

Imagem meramente ilustrativa, há outras opções no mercado.

10. INFRAESTRUTURA

Já falamos de todos os itens necessários para o nosso projeto, mas para melhor entendimento da instalação deles, elaboramos um layout com a infraestrutura necessária para a execução dessas instalações (além, é claro, das instalações convencionais já presentes).

 Acreditamos que conseguimos unir todas essas soluções em um projeto com custo acessível e customizável de acordo com as necessidades de cada cliente, e com um ótimo resultado técnico.

FINALIZAÇÃO E MATERIAL BRINDE AOS AMIGOS DO BLOG

É com satisfação que publicamos esse post que entrega dicas para a implantação de Salas Cirúrgicas Inteligentes, também chamadas de Salas Integradas.

Fazia um bom tempo que gostaríamos de ter publicado, pois é um tema bastante demandado pelos colegas arquitetos, projetistas e administradores hospitalares com quem trabalhamos.

Ele é fruto de um trabalho que iniciamos as primeiras pesquisas e aprendizados em 2011 e fomos otimizando desde então. Esperamos que essas dicas contribuam com o desenvolvimento do seu centro cirúrgico e com o trabalho dos colegas projetistas.

Qualquer dúvida em seu projeto, entre em contato pelo e-mail [email protected]

A seguir deixamos disponível para download  o modelo de projeto que usamos aqui na Equipacare, fique à vontade para baixá-lo. Só pedimos que retribua a gentileza citando a Equipacare como fonte, caso utilize em seus trabalhos ou apresentações:

Nesse modelo, você colega estimado que nos acompanha, encontrará uma alternativa de custo mais acessível para hospitais de todo porte, resultado do esforço de nossa equipe de projetos.

Por Vinicius Cruz | Supervisor de Projetos e Douglas Dunga | Engenheiro

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