Ventilador pulmonar: como escolher?

ventilador pulmonar Foto: Divulgação/Prefeitura de Santos

Ventilador pulmonar: como escolher?

A busca por ventiladores pulmonares aumentou exponencialmente durante o inicio de pico da pandemia por Covid-19. Estes equipamentos são essenciais ao suporte à vida e para terapias dos distúrbios pulmonares, inclusive aqueles decorrentes do Corona. Os aparelhos, também conhecidos como respiradores, podem manter a vida do paciente enquanto seu corpo não está capaz de realizar sozinho os movimentos respiratórios, já que a circulação do oxigênio é fundamental para o funcionamento de diversos órgãos.

O que se deve levar em conta na hora de comprar um ventilador pulmonar

QUANTIDADE NECESSÁRIA EM UMA UTI

De acordo com a RDC 7/2010, é obrigatório que na UTI (unidade de tratamento intensivo) possua 01 ventilador pulmonar microprocessado para cada 02 leitos, somado à reserva operacional de mais 01 equipamento para cada 05 leitos. Dessa forma, para uma UTI de 10 leitos atender a norma, será necessário que possua, no mínimo, 07 ventiladores pulmonares. Lembrando ainda que, cada um deles, deverá dispor de pelo menos 02 circuitos respiratórios completos (tubos e acessórios). Também não podemos esquecer de prever o ventilador pulmonar específico para transporte com construção portátil e bateria de maior autonomia, sendo necessário 01 ventilador de transporte para cada 10 leitos ou fração.

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ESCOLHA DA TECNOLOGIA

Para definir qual o tipo de ventilador pulmonar adquirir é muito importante que antes de iniciar as cotações com o mercado, se defina antes algumas premissas com o corpo clínico, em especial os médicos intensivistas e fisioterapeutas. Estas informações serão fundamentais para que os fornecedores saibam qual melhor modelo oferecer de seu portfólio.

Por exemplo: o setor para onde está previsto o equipamento possui apenas rede de gás oxigênio ou também tem disponível ar-comprimido? O ventilador requisitado também será utilizado para transporte intra-hospitalar?

Nesses casos, seria melhor optar por uma tecnologia a turbina que utiliza ar ambiente para a mistura com oxigênio, não necessitando de rede de ar comprimido. E para o uso em transporte entre setores, poderá utilizar um cilindro portátil de oxigênio.

Além disso, existem equipamentos com tamanhos de displays maiores, alguns com touchscreen que melhoram a usabilidade. Temos também modelos de ventiladores que permitem a conectividade digital com o prontuário eletrônico do paciente (o que poderá requerer de adquirir hardwares ou softwares acessórios).

SUPORTE COM RODÍZIOS OU EM PRATELEIRA?

Caso o ventilador pulmonar vá ficar posicionado em uma estativa (suporte vindo do teto), é necessário informar ao fornecedor para que seja orçado o suporte adequado para fixação do equipamento: não podemos correr o risco de um aparelho caro como este cair da prateleira ao chão. Sugerimos, porém que, nesses casos, sejam comprados alguns suportes com rodízios, pensando nas manutenções tanto dos ventiladores como das próprias estativas.

ventilador pulmonar
foto Divulgação World Life Medical | IHOPE

APLICAÇÃO DO VENTILADOR PULMONAR

Junto com o corpo clínico, é necessário entender quais tipos de pacientes o equipamento deverá atender: neonatal, pediátrico e/ou adulto. Esta definição é básica para a elaboração da especificação e seleção dos modelos, pois em geral os ventiladores serão apresentados pela faixa de peso (Kg) que podem atender, por exemplo, pessoas de 3Kg a 200Kg

Também temos que conhecer para quais setores estes ventiladores serão destinados, pois podemos ter, por exemplo, ventiladores mais voltados à estabilização do paciente no setor de urgência, ventiladores mais voltados ao transporte e finalmente ventiladores que poderão ser aplicados no uso mais prolongado como são os empregados na UTI. Esta informação é um bom indicador de complexidade e sofisticação requeridos.

E mesmo dentro de uma UTI, podemos considerar que não precisamos equipar todos os leitos de forma igual: é possível realizar uma mescla entre ventiladores com modalidades ventilatórias padrão, capazes de tocar a rotina da UTI e ter uma parte menor dos leitos (20% ou 30%) com ventiladores mais sofisticados, com modalidades ventilatórias e ferramentas avançadas visando atender pacientes mais graves ou que ficarão muito tempo entubados. Esta mescla é, inclusive, uma prática economicamente mais viável do que adquirir ventiladores dos mais completos (e mais caros) para todos os leitos, ficando subutilizados.

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E para aqueles casos de entubação de longa duração, o ideal é que o ventilador pulmonar possua modalidades ventilatórias e softwares que auxiliem o fisioterapeuta a realizar o desmame do paciente, que é o processo em que o equipamento detecta o estímulo do paciente, realizando a sincronia e permitindo que não somente seja controlado como permita que aos poucos o paciente faça o esforço pulmonar por conta própria, recuperando assim sua capacidade.

Neste sentido, temos que informar aos fornecedores quais modalidades ventilatórias são desejadas, pois muitas delas são opcionais. Por exemplo, algumas das modalidades espontâneas mais avançadas, as modalidades proporcionais, que consideram o esforço respiratório do paciente e algumas das modalidades não invasivas, como o BIPAP/similar.

Realmente é fundamental especificar as modalidades ventilatórias. Segue abaixo tabela de exemplo:

Monitoramento no ventilador

Não podemos esquecer que ventiladores pulmonares para aplicações de criticidade intermediária ou alta precisam oferecer controles mais sofisticados, para monitoramento e ajuste da ventilação. Por exemplo, a monitorização de frequência respiratória e volume corrente, de PEEP, a medida da pressão de pico inspiratório, pressão expiratória e pressão de platô.

Também precisamos checar a forma de apresentação das curvas (volume, pressão e fluxo) nos displays que podem ser utilizadas para acompanhamento das pneumopatias restritivas, como a SDRA e doenças obstrutivas. Através destas curvas é possível, por exemplo, identificar vazamentos, perceber o esforço do paciente para disparar o equipamento, acompanhar a assincronia do paciente e ventilador pulmonar e, com isso, auxiliar no ajuste de parâmetros como sensibilidade, fluxo ou até mesmo realizar a alteração da modalidade ventilatória utilizada.

ventilador para uti neonatal

Agora quando falamos em UTI neonatal é necessário prever softwares que permitam atender pacientes que podem ter apenas 400g, podendo ter modelos que conseguem atender a partir de 250g ! Mas atenção, em muitos equipamentos esses softwares de neonatologia são opcionais e, nesse caso, devem ser especificados no momento das cotações. Também existem modelos de equipamentos que possuem a modalidade ventilatória de alta frequência que é um importante diferencial para ventiladores neonatais.

Bem, acredito que estas são as principais dicas para se lembrar na hora de escolher seus novos ventiladores pulmonares. Ficaremos muito felizes se este post puder te ajudar. Então, se tiver ficado com alguma dúvida ou se achar que este conteúdo pode ajudar algum colega seu, fique a vontade para comentar aqui embaixo e compartilhar! Ah, e siga a Equipacare nas redes sociais.

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